Rateio de Água em Condomínios: Diferença Entre Consumo Individual, Custos Coletivos e os Riscos Jurídicos de Uma Gestão Amadora
- Sora Gestão Condominial
- 27 de jan.
- 4 min de leitura

A gestão do consumo de água é, hoje, um dos temas mais sensíveis da administração condominial moderna. Em condomínios residenciais, especialmente em cidades com alta densidade urbana como Belo Horizonte, erros no rateio de água figuram entre as principais causas de conflitos, questionamentos administrativos e ações judiciais contra síndicos.
A implantação de hidrômetros individuais trouxe mais justiça no pagamento, mas também aumentou significativamente a complexidade técnica, contábil e jurídica da função do síndico. Entender o que deve ser rateado individualmente, o que deve ser rateado de forma coletiva e como estruturar isso de maneira legal não é opcional — é obrigação legal da gestão.
Este artigo aprofunda, de forma técnica e prática, o rateio individual e coletivo da água em todas as áreas do condomínio, com base na legislação brasileira, boas práticas de governança e na realidade operacional dos condomínios de Belo Horizonte/MG.
Fundamento Legal da Cobrança de Água em Condomínios
A base legal da gestão condominial está no Código Civil (Lei nº 10.406/2002).
Obrigação de contribuir para as despesas
O art. 1.336, inciso I, estabelece:
“São deveres do condômino: contribuir para as despesas do condomínio, na proporção de suas frações ideais, salvo disposição em contrário na convenção.”
Isso significa que a convenção pode definir critérios diferentes, desde que claros, objetivos e aprovados em assembleia.
Responsabilidade do síndico
O art. 1.348, incisos V e VIII, atribui ao síndico:
Diligenciar a conservação das partes comuns
Prestar contas à assembleia
A gestão da água — incluindo leitura, rateio, controle de perdas e transparência — está diretamente inserida nessas atribuições.
A jurisprudência brasileira consolidou o entendimento de que a individualização da medição de água é benfeitoria útil, podendo ser aprovada por assembleia, inclusive sem unanimidade, quando prevista em convenção ou deliberada conforme quórum legal.
Hidrômetro Geral x Hidrômetros Individuais: Onde Começa a Responsabilidade do Condomínio
Um erro comum é acreditar que a concessionária responde por todo o sistema de medição. Isso não é verdade.
Hidrômetro geral: responsabilidade da concessionária (COPASA, em Belo Horizonte).
Após o hidrômetro geral: toda a rede é interna e de responsabilidade exclusiva do condomínio.
Isso inclui:
Tubulações internas
Hidrômetros individuais
Vazamentos internos
Leitura e controle do consumo
A concessionária não faz leitura individual. Essa obrigação recai integralmente sobre a administração condominial.
Rateio Individual de Água: O Que Deve Ser Cobrado Proporcionalmente
Consumo de água nas unidades autônomas
O consumo efetivo de água registrado no hidrômetro individual deve ser cobrado proporcionalmente, em metros cúbicos (m³).
Regra técnica e jurídica:
Quem consome mais, paga mais
Quem consome menos, paga menos
Esse é o principal benefício da individualização e atende ao princípio da justiça distributiva, amplamente aceito pela doutrina e pela jurisprudência.
Áreas atendidas pelo consumo individual
Banheiros
Cozinhas
Áreas de serviço
Jardins privativos (quando ligados à unidade)
Todo esse consumo entra no rateio individual, com base na leitura mensal.
Rateio Coletivo: O Que NÃO Pode Ser Cobrado Proporcionalmente
Aqui reside o maior número de erros cometidos por síndicos amadores.
Custos de gestão do sistema de água
Os custos administrativos e operacionais do sistema de medição NÃO são consumo de água e, portanto, não podem ser rateados proporcionalmente.
Devem ser rateados de forma igualitária entre todas as unidades, independentemente do consumo.
Exemplos:
Leitura mensal dos hidrômetros
Empresa terceirizada de medição
Manutenção dos hidrômetros
Calibração e substituição de medidores
Gestão administrativa do sistema
Esses custos são classificados como despesas administrativas fixas.
Por que o rateio deve ser igual?
Porque:
O serviço existe para todos
A estrutura atende o condomínio como um todo
Não há relação direta com o volume consumido
Cobrar esses custos proporcionalmente ao consumo é juridicamente questionável e frequentemente contestado em assembleias e no Judiciário.
Rateio da Água nas Áreas Comuns do Condomínio
Consumo coletivo de água
Áreas comuns devem ter seu consumo tratado como despesa coletiva, salvo se houver medição específica.
Exemplos:
Limpeza de áreas comuns
Jardins e paisagismo
Piscinas
Salão de festas
Vestiários
Portaria e áreas de funcionários
Quando não há hidrômetro exclusivo, o consumo entra no rateio coletivo conforme critério da convenção (normalmente fração ideal).
Particularidades dos Condomínios em Belo Horizonte
Em Belo Horizonte, muitos condomínios — especialmente nos bairros Buritis, Castelo, Funcionários, Lourdes e Savassi — possuem prédios antigos adaptados à medição individual.
Nesses casos:
A rede interna apresenta maior risco de vazamentos
Diferenças entre hidrômetro geral e soma dos individuais são frequentes
A COPASA considera perdas internas como responsabilidade do condomínio
Boas práticas adotadas por síndicos profissionais em BH incluem:
Conferência mensal entre hidrômetro geral e individuais
Investigação quando a diferença ultrapassa 15% a 20%
Registro fotográfico das leituras
Histórico mínimo de 12 meses por unidade
Além disso, normas municipais de Belo Horizonte relacionadas à conservação predial e segurança das instalações reforçam a necessidade de manutenção preventiva da rede hidráulica.
Riscos Jurídicos da Gestão Amadora do Rateio de Água
Erros recorrentes geram:
Impugnação de assembleias
Ações judiciais contra o síndico
Responsabilização civil por má gestão
Perda de credibilidade da administração
Entre os erros mais comuns:
Ratear custo de leitura proporcionalmente
Não documentar leituras
Não permitir acesso às informações
Falta de previsão no regimento interno
O Papel do Síndico Profissional na Gestão da Água
A complexidade técnica e legal demonstra que a gestão da água não é tarefa operacional simples, mas um processo de governança.
A Sora Gestão Condominial atua em Belo Horizonte com:
Estrutura técnica especializada
Procedimentos padronizados
Relatórios claros e auditáveis
Conformidade legal
Transparência total para moradores e conselhos
Uma gestão profissional reduz riscos, evita conflitos e protege juridicamente o condomínio.
👉 Saiba mais sobre a gestão financeira e administrativa integrada:https://www.soragestaocond.com/sindico-profissional-belo-horizonte
#síndico profissional em Belo Horizonte
#gestão condominial em Belo Horizonte
#síndico profissional BH
#empresa de gestão condominial MG
#serviços para condomínios em Belo Horizonte
Selo Editorial Sora | Gestão Condominial com Base Legal
Este conteúdo foi elaborado pela equipe da Sora Gestão Condominial, especializada em síndico profissional, com base na legislação brasileira vigente, boas práticas de governança e compromisso com a transparência, segurança jurídica e foco no cliente.
Todos os artigos do nosso blog têm caráter educativo e informativo, sem substituição de orientação jurídica individualizada.




Comentários